domingo, junho 06, 2004



São Paulo, domingo,
06 de junho de 2004

4.805 VAGAS

Fluxo de turistas e de alunos em férias faz acampamentos, hotéis e parques abrirem suas portas

Julho é mês de "ralação" para universitários
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Julho é mês de férias. Ou não, dependendo do ponto de vista. Há vagas de trabalho temporário durante o período, especialmente nas áreas de lazer e turismo. E, nesses setores, candidatos universitários são os mais disputados.
A Folha traz nesta edição 4.805 ofertas de emprego, com salários que vão de R$ 260 a R$ 3.500 por mês, além de 5.060 vagas de estágio. "Em julho, registramos aumento de oportunidades para vendedores, monitores e atendentes, especialmente em empresas do ramo de entretenimento", conta Eliana Baptista, 46, diretora de gestão de pessoas da agência de empregos Luandre, de São Paulo.
Em hotéis e resorts, o reforço acontece porque julho é mês de alta temporada -e de muito calor, em alguns Estados. "A demanda aumenta, principalmente a de turistas estrangeiros", diz Fátima Maciel, 45, diretora de relações humanas do Club Med.
As vagas temporárias com contrato -que garantem ao empregado direitos como férias e 13º salário proporcionais- estão caindo neste ano porque, para se livrar dos encargos, as empresas optam cada vez mais pela contratação direta (sem passar pelas agências), explica o presidente da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário), Necésio Tavares.
Mas, mesmo sem receber os benefícios, há quem diga que vale a pena viver de "bicos". A protética Sandra Borges, 33, foi demitida de seu antigo emprego porque, segundo conta, foi considerada velha demais para a função. Além de ter quatro filhos.
Sem nunca ter atuado, foi selecionada para ser um dos monstros do evento Noites do Terror, do Playcenter. Por um mês de trabalho, ganhou R$ 1.500. "É uma saída para quem está sem emprego, acaba abrindo portas. A agência sempre me chama para fazer diferentes trabalhos."

Currículo recheado
A possibilidade de incrementar o currículo ou de transformar a vaga temporária em fixa faz engrossar a lista de candidatos.
Conforme afirma João Renato de Vasconcellos Pinheiro, vice-presidente do Sindeprestem (sindicato especializado em mão-de-obra temporária), cerca de 25% conquistam a vaga.
Muitos desses reforços acabam se tornando fixos por se identificarem com o perfil solicitado. "Contratamos 40% dos temporários da última seleção", diz Dirceu Ramos, presidente da DR Marketing Promocional.
Com currículos enxutos e pouca experiência, os universitários são os preferidos dos empresários. "Eles estão dispostos, querem melhorar o currículo e garantir o primeiro emprego", declara Marco Antônio Vívolo, 50, presidente da Associação Brasileira de Acampamentos Educativos.
Estudante do terceiro ano de administração, Dayane Souza, 22, conseguiu, há um mês, estágio no departamento de marketing do Rio Quente Resorts. "Meu contrato tem validade de um ano, mas quero crescer na empresa e virar fixa." (LARA SCHULZE)