sexta-feira, maio 28, 2004

Portal Universia
28/05/2004

Parcerias aceleradas
Agência da Unicamp sai a campo para transferir tecnologia produzida na universidade
Por Marili Ribeiro

Boas idéias são essenciais. Mas, esquecidas nas gavetas, elas não rendem nem dividendos nem conforto, em especial no caso específico das que resultam em ganhos tecnológicos e podem ser incorporadas a produtos e serviços para o mercado consumidor. Na luta contra esse descompasso, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) resolveu agilizar ainda mais a comercialização das 297 patentes que possui como resultado do trabalho de seus pesquisadores. Para tratar disso, a universidade contratou uma profissional com experiência na área, Rosana Ceron Di Giorgio, que assumiu a função de diretora de Propriedade Intelectual da Agência de Inovação da Unicamp (Inova). A meta prevista por ela é licenciar dez patentes por ano. Uma tarefa árdua, a se considerar que, nos quase dez anos de existência do Escritório de Patente da universidade que precedeu a Inova, apenas seis delas foram licenciadas por grupos empresariais e já renderam mais de R$ 600 mil desde 1996 para a universidade.
Animada com as perspectivas do trabalho que tem pela frente, Rosana, desde quando chegou ao campus no final do ano passado, selecionou 70, entre as quase 300 patentes, que acredita poder mais rapidamente colocar à disposição de interessados em estabelecer parcerias com a universidade. Três delas, segundo a diretora de Propriedade Intelectual da Inova, estão com os contatos bastante avançados. "Acredito que logo estaremos assinando o primeiro contrato dessa nova etapa de ação mais agressiva da agência, que agora vai ao mercado oferecer o que tem no portfólio", diz ela. Rosana revela que o produto que deverá chegar às prateleiras, graças a um laboratório empenhado em fabricá-lo, serão as cápsulas à base de isoflavonas de soja, capazes de oferecer melhor absorção pelo organismo de seus benefícios no combate aos radicais livres. A patente da pesquisa que resultou na descoberta foi registrada graças ao trabalho de Yong Kun Park, do Laboratório de Bioquímica de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA).
Park pesquisa isoflavonas de soja desde 1998. Ele conta que, há pouco mais de três anos, cerca de 20 empresas norte-americanas produzem derivados de soja para alimentação em razão de sua comprovada atividade de redução e controle de colesterol e da pressão sangüínea. Segundo o pesquisador, o Brasil tem condições ideais para produzir grande variedade de alimentos derivados de soja, afinal detém quase 17% da produção mundial dessa leguminosa. O contrato para transferência de tecnologia está prestes a se tornar realidade.