quarta-feira, maio 05, 2004

A GAZETA
05/05/2004

Responsabilidade social
Paulo Itacarambi

Em todo o mundo, a exclusão digital tem se apresentado como a face mais recente da exclusão social. No Brasil, ela surge como um subproduto de nossa profunda desigualdade socioeconômica, dificultando o crescimento econômico sustentável, a integração dos cidadãos ao mercado de trabalho e o exercício da cidadania. Estima-se que 148 milhões de brasileiros não têm acesso ao computador e à Internet.

A progressiva utilização de novas tecnologias produz dois resultados distintos, mas igualmente relevantes. De um lado, esse processo produz o constante aperfeiçoamento da gestão e dos processos produtivos. De outro, a mecanização e informatização substituem o trabalho humano e geram desemprego. A inclusão dos brasileiros na era digital é requisito fundamental para o desenvolvimento sustentável da economia. Uma sociedade de excluídos produz menos riquezas e estrangula a atividade econômica.

As empresas, por sua vez, contam com os recursos financeiros, com as habilidades das pessoas e com o conhecimento necessários para promover a inclusão digital. Elas podem desenvolver programas voltados para seus funcionários de menor renda e escolaridade, e incluir digitalmente o conjunto de seus colaboradores. Possibilitar o uso das tecnologias significa aumentar a auto-estima, qualificar a mão-de-obra e, conseqüentemente, proporcionar ganhos na produtividade.

Além disso, as empresas também podem adotar projetos dirigidos a seus fornecedores e às comunidades localizadas no entorno de suas instalações. Também podem doar ou financiar computadores para centros comunitários e escolas públicas, capacitar professores e monitores e estimular o voluntariado corporativo, só para citar alguns exemplos.

Visando incentivar a participação do setor empresarial na promoção de políticas e iniciativas de inclusão digital, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e o Comitê para a Democratização da Informática (CDI), lançaram em março o manual "O que as empresas podem fazer pela inclusão digital", que oferece um roteiro para uma política de inclusão corporativa, assim como diversas iniciativas desenvolvidas por empresas que podem ser multiplicadas.

As empresas não estão sozinhas nesse processo. Governos e organizações da sociedade civil estão desenvolvendo projetos importantes, empenhados na universalização da inclusão digital. Integrar-se a esse movimento de inclusão digital é uma oportunidade importante de exercício da responsabilidade social.



PAULO ITACARAMBI é diretor-executivo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social