quinta-feira, maio 18, 2006

O roteirista de Einstein

Folha de São Paulo
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São Paulo, domingo, 14 de maio de 2006

O roteirista de Einstein

Colaborador de Louis Malle e Buñuel, Jean-Claude Carrière recria em livro a trajetória do físico alemão PETER FORBESFoi Albert Einstein quem derrubou nossas idéias ingênuas sobre o espaço e o tempo, apresentando-nos um universo em que eles estão entrelaçados e são distorcidos por objetos pesados e qualquer coisa que viaje numa velocidade próxima à da luz. Por isso, é um capricho simpático pensar no próprio Einstein habitando para sempre seu próprio espaço-tempo pessoal, um reino em que ele ainda pode -50 anos após sua morte e cem anos após seu "annus mirabilis" de descobertas- responder a perguntas sobre suas teorias e conversar com Newton.Esse é Einstein como o Senhor do Tempo da Relatividade ou, de forma menos grandiosa, o senhor de um país das maravilhas à Lewis Carroll, cujo idioma geralmente é "jabberwocky" para nossos ouvidos.Essa é a idéia por trás do mais recente livro de Jean-Claude Carrière, "Einstein, S'Il Vous Plaît" [Einstein, Por Favor, Odile Jacob, 19,95, R$ 52]. Carrière, um homem vigoroso de 75 anos com uma clássica barba francesa e olhar triste, é um dos mais ilustres roteiristas de cinema do mundo: colaborador de Buñuel por 18 anos, com "A Bela da Tarde" (1967), "O Discreto Charme da Burguesia" (1973) e "Esse Obscuro Objeto de Desejo" (1977) na bagagem, além de outros clássicos como "Loucuras de uma Primavera" (1989), de Louis Malle. Ele adaptou o "Mahabharata" para a produção original francesa de Peter Brook em 1985.Então, que estranha distorção do espaço-tempo levou esse artista até Einstein? "Tive uma educação clássica", ele me conta, "sem nenhum contato com a ciência -não era chique na época. Mas, quando tinha quase 50 anos, senti que faltava alguma coisa na minha vida. Tive a vaga sensação de que estava perdendo os maiores avanços da mente no século 20. Em outras palavras, ia morrer um idiota. Tinha ouvido falar vagamente em mecânica quântica, mas, aos 47 anos, não sabia a diferença entre um nêutron e um próton".Contato com a astrofísicaAo longo de suas viagens como roteirista, ele conheceu o astrofísico canadense Hubert Reeves, que o apresentou a dois colegas franceses, Michel Cassé e Jean Audouze. "Nós nos demos muito bem", ele explica. "Na época eu estava trabalhando no "Mahabharata". Então os convidei para ver nosso trabalho. E eles me convidaram para ver seu trabalho. Fui ao Instituto de Astrofísica de Paris. E decidimos que eu iria visitá-los uma vez por semana."Foi a situação pedagógica ideal. "Tinha muitas histórias para lhes contar. Mitos, lendas, as origens da arte, desejos e sonhos. Por outro lado, eles tinham muito a me ensinar. Foram aulas de quadro-negro. Ali estavam um aluno e dois professores, e nem sempre concordavam!"O resultado das aulas foi o livro em colaboração chamado "Conversations on the Invisible" [Conversas sobre o Invisível]. Depois veio outro livro colaborativo de física. "Então, cerca de dois ou três anos atrás, pensei: por que não escrever um livro sozinho? Eu adoro a colaboração, mas de tempos em tempos escrevo livros sozinho... Então tive a idéia de escrever um livro sobre Einstein sem usar nada de matemática ou símbolos científicos."Carrière inspirou-se no fato de que o próprio Einstein tentou muitas vezes explicar em palavras simples seu objeto de trabalho: "Você sabe que ele respondeu a todas as cartas que recebeu na vida? E as pessoas sempre tentavam convencê-lo de que estava errado. Assim, o fato de que o próprio Einstein tentava explicar sua ciência foi um incentivo".Como roteirista de cinema, Carrière sabia que o livro tinha de ser ancorado de alguma forma no estilo de "O Mundo de Sofia" [de Jostein Gaarder, Companhia das Letras], em torno de uma garota anônima que aborda Einstein: "O senhor disse que o tempo não existe, então decidi acreditar na sua palavra".Segundo Carrière, "essa simples frase me deu a chave. Sem essa frase talvez eu não tivesse escrito o livro". E, paradoxalmente, toda a viagem no tempo ocorre numa única sala: "Você tem uma sala com uma porta. Você abre a porta e pode estar onde quiser, quando quiser. Pode estar no meio das estrelas".Uma das grandes descobertas científicas é que o espectro das estrelas prova que os elementos químicos que elas contêm são os mesmos que existem na Terra, e Carrière é fascinado pelo fato de que, quando descobrimos a vastidão inimaginável do universo, também descobrimos nosso parentesco com as estrelas.Uma das delícias de "Einstein, Por Favor" é que, embora Carrière claramente reverencie Einstein, não tem uma atitude embaraçosa de prostração diante do gênio.Carrière apresenta Einstein como um profeta relutante que apenas queria prosseguir com seu trabalho e que desprezava as besteiras de celebridade que o importunavam: "Ele detestava ser chamado de profeta. Quando foi ao Japão, uma multidão enorme o seguiu pelas ruas em silêncio. Ele era o que conhecia os segredos do universo". Na distorção do espaço-tempo deste livro, os dois maiores físicos da história podem se encontrar e discutir. Newton está aborrecido porque Einstein arruinou seu universo ordenado. Como diz Carrière, "Newton achava que o espaço era uma caixa vazia em que Deus havia colocado as estrelas".Na época, o sistema de Newton parecia tão tranqüilizadoramente racional, uma confirmação da necessidade humana de ordem, que é compreensível sua perturbação ao saber do trabalho de demolição parcial de suas teorias feito por Einstein.Trabalho com Milos FormanO projeto Einstein de Carrière cumpriu vários objetivos. Garantiu que não morrerá idiota (como ele mesmo reconhece), e um objetivo consciente foi "atrair os jovens para a ciência". E ele quase não prejudicou seu prolífico trabalho para o cinema. Atualmente está trabalhando com Milos Forman em "Goya's Ghosts" [Os Fantasmas de Goya], que deve ser lançado neste ano.Mas a mais famosa das muitas colaborações de Carrière com diretores ilustres foi seu trabalho durante 18 anos com Luis Buñuel.Em "Einstein, Por Favor", Carrière aborda a responsabilidade da ciência em geral, e a de Einstein em particular, pelas tragédias do século 20, especialmente a bomba. O Einstein de Carrière tem certeza de que os seres humanos dos séculos 20 e 21 não são piores ou melhores do que sempre foram; a ciência certamente nos deu novos meios de gerar destruição, mas esse conhecimento sempre nos pôs diante de dilemas morais. A sensibilidade humana de Carrière faz dele a pessoa ideal para humanizar Einstein, um homem que foi "vítima de seu próprio gênio".
Este texto foi publicado no "Independent".Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves.

sexta-feira, julho 23, 2004

PROJETOS DE TCC (J.SIMÕES, 2004/2)

Lista dos projetos

1. A preservação da memória a partir do uso de recursos comunicacionais
João Bosco / Natanael Miranda
Or.: Orlando
GE: Mídia e Memória

2. Análise de questões de gênero a partir de programação televisiva: desenhos animados
Márcia Knupp
Or.: Luziane
GE: Mídia e Educação

3. Revista "Atrás do balcão": elaboração de piloto
Leandro Rosa
Or.: Luziane
GE: Jornalismo Especializado

4. Jornalismo, ação comunicativa e ética
Maikel Silveira
Or.: Orlando
GE: Teorias do Jornalismo

5. Análise de campanhas públicas de Saúde
Viviane Fuchs
Or.: Marília
GE: Comunicação e Saúde


6. Comunicação e Política na campanha eleitoral 2004
6.1. Produção de clipping para a campanha de Graciano Espíndula
Edna
Or.: Marília
GE: Comunicação e Política

6.2 Estratégias de comunicação comunitária na campanha de Graciano Espíndula
Juliana
Or.: Marília
GE: Comunicação e Política

6.3 Estratégias de Assessoria de Comunicação na campanha de Graciano Espíndula
Patrícia
Or.: Marília
GE: Comunicação e Política


7. Análise de procedimento editoriais em ambientes educacionais formais: o sistema apostilado do Colégio Magister
Louise
Or.: Orlando
GE: Processos Editoriais

8. O documentário como gênero audiovisual
Ludson
Or.: Mauro
GE: Gêneros Audiovisuais

segunda-feira, julho 12, 2004

TCC - Jornalismo e Política

Edna, Juliana, Patricia,

Aqui seguem algumas referências bibliográficas que consegui reunir. Nem todas elas serão lidas por vocês, mas todas ficarão disponíveis para a formação do referencial teórico do trabalho de vocês.

SCOTTO, Gabriela. Encontros e desencontros entre a política e o mercado: uma antropologia das "trocas" no espaço do marketing político. Horiz. antropol., July 2003, vol.9, no.19, p.49-78. ISSN 0104-7183.

Constata-se, neste artigo, que não há fronteiras bem definidas e rígidas entre política e mercado - pelo contrário, as articulações entre ambos são grandes. E se, por um lado, é verdade que existe uma considerável mercantilização dos interesses e das transações sociais e profissionais no campo político-eleitoral, por outro, não é menos verdade de que existe, também, uma "politização" do mercado e dos produtos e serviços oferecidos. Eventos sociais, tais como congressos de marketing político e feiras de "produtos e serviços políticos", são usados como uma porta de entrada para a análise da constelação de agentes, práticas e representações, que se articulam no marketing político e que evidenciam as tênues fronteiras entre política e mercado que permeiam esse espaço social.

Keywords: eleições; marketing político; política e mercado; representação política.

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ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de and CARNEIRO, Leandro Piquet. Liderança local, democracia e políticas públicas no Brasil. Opin. Publica, May 2003, vol.9, no.1, p.124-147. ISSN 0104-6276.

Este artigo aborda a questão democrática enfocando a dinâmica da política local no Brasil. À luz das evidências políticas que embasaram o importante papel do município como alicerce da democracia, estabelecida pelo modelo federativo resultante da Constituição de 1988, como a dinâmica de transferência de recursos e o desenho das políticas sociais, o trabalho analisa de forma geral o mapa de valores e opiniões de elites e lideranças locais com relação a atribuições e competências de diferentes níveis de governo. Os dados analisados provêm da pesquisa Democracia e governo local, realizada com 450 lideranças de municípios brasileiros.

Keywords: federalismo; município; política local; lideranças; valores.

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SPECK, Bruno Wilhelm. A compra de votos: uma aproximação empírica. Opin. Publica, May 2003, vol.9, no.1, p.148-169. ISSN 0104-6276.

O artigo aborda o fenômeno da compra de votos no contexto histórico e apresenta dados de um levantamento empírico realizado através de uma pesquisa de opinião após as eleições municipais no Brasil no ano 2000. São discutidas questões relacionadas ao significado da compra de votos no conjunto das questões ligadas à lisura do processo eleitoral. O texto aborda também os problemas enfrentados na pesquisa em função do assunto abordado e soluções metodológicas encontradas.

Keywords: eleições; corrupção eleitoral; voto; justiça eleitoral; representação política.

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FIGUEIREDO, Rubens and COUTINHO, Ciro. A eleição de 2002. Opin. Publica, Oct. 2003, vol.9, no.2, p.93-117. ISSN 0104-6276.

O artigo analisa a campanha presidencial de 2002 a partir dos resultados das pesquisas de intenção de voto divulgadas na mídia, da propaganda eleitoral gratuita na televisão e do contexto político que resultou na vitória do candidato do Partido dos Trabalhadores, Luís Inácio Lula da Silva.

Keywords: eleições; pesquisas de opinião; propaganda eleitoral; televisão.

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MIGUEL, Luis Felipe. Mídia e vínculo eleitoral: a literatura internacional e o caso brasileiro. Opin. Publica, May 2004, vol.10, no.1, p.91-111. ISSN 0104-6276.

O caráter democrático das instituições representativas depende da qualidade do vínculo eleitoral, isto é, da capacidade que o processo eleitoral possui de vincular a ação dos representantes à vontade dos representados. Um elemento-chave no processo é a informação - sobre o comportamento anterior dos políticos, sobre sua plataforma, sobre a agenda pública. Uma vasta literatura discutiu a influência dos principais provedores de informação das sociedades contemporâneas (a mídia de massa) na relação entre representantes e representados. Mas as particularidades do campo político brasileiro colocam em perspectiva a literatura internacional.

Keywords: representação política; meios de comunicação de massa; eleições; política brasileira.

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LOPES, Denise Mercedes Nuñez Nascimento. Para pensar a confiança e a cultura política na América Latina. Opin. Publica, May 2004, vol.10, no.1, p.162-187. ISSN 0104-6276.

Este artigo identifica os determinantes de confiança política e sua relação com o apoio ao regime nos países latino-americanos de tradição democrática relativamente recente. A partir dos dados do Latinobarômetro de 1996, a autora analisa hipóteses explicativas em uma amostra de cinco países: Argentina, Brasil, Costa Rica, Colômbia e Chile. Os resultados apontam como principais determinantes da confiança nas instituições políticas: a preferência pela democracia em oposição ao autoritarismo, as visões sobre a economia e satisfação com o governo, o otimismo em relação ao futuro do país e do núcleo familiar e o interesse pela política.

Keywords: cultura política; confiança política; democracia; América Latina.

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CANCLINI, Néstor García. Cities and citizens imagined by the Media. Opin. Publica, May 2002, vol.8, no.1, p.40-53. ISSN 0104-6276.

A megalópole Cidade do México existe como espaço social e físico, ordem e desordem demográfica, mas também nas formas imaginadas todos os dias pela imprensa, o rádio e a televisão. Estas mídias organizam comunidades invisíveis de audiências que se informam através delas sobre a cidade e, às vezes, participam por meio de cartas ou telefonemas. De que forma a esfera pública é reconstituída nesses circuitos comunicacionais? Esses meios contribuem para a transparência e a democratização da cidade ou simplesmente reproduzem o senso comum urbano?

Keywords: meios de comunicação; imprensa; estudos urbanos; Cidade do México.

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FLEISCHER, David. The 2000 Brazilian local elections: a comparative analysis (1982-2000). Opin. Publica, May 2002, vol.8, no.1, p.80-105. ISSN 0104-6276.

Este artigo analisa os resultados do primeiro e segundo turnos da eleição municipal de 2000 no Brasil. Enfoca o desempenho de cada um dos principais partidos e de alguns dos principais candidatos, nas regiões do país e nas principais cidades, analisa o desempenho geral das candidatas mulheres, e procura traçar considerações sobre o impacto dos resultados no cenário político das eleições gerais de 2002.

Keywords: eleições municipais 2000; partidos políticos; candidatos; Brasil.

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MOURA, Rosa and KORNIN, Thaís. De-constructing electoral discourse: the first round of municipal majoritarian elections in Curitiba in the year 2000. Rev. Sociol. Polit., June 2001, no.16, p.67-95. ISSN 0104-4478.

O pensamento único vem prevalecendo na escolha e adoção de instrumentos e políticas urbanas, conduzido pela opção de inserir as cidades no processo de reestruturação produtiva, em cumprimento aos requisitos impostos pelo modelo globalizante. Como uma ação naturalizada, esse procedimento espelha, de fato, intenções alheias ao lugar, e que são interiorizadas no imaginário da população, como um consenso. Que resultados tais estratégias provocam na produção do espaço urbano e no exercício da cidadania, e como foram incorporadas e veiculadas no discurso eleitoral do primeiro turno das eleições municipais majoritárias em Curitiba no ano 2000? Este ensaio vai em busca de respostas a essa questão.

Keywords: Curitiba; eleições municipais; discurso eleitoral; planejamento urbano; city marketing.

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BAQUERO, Marcello. Building another society: social capital in the structuring of participatory political culture in Brazil. Rev. Sociol. Polit., Nov. 2003, no.21, p.83-108. ISSN 0104-4478.

Este artigo examina a relação entre democracia, cultura política e capital social no Brasil. O tema é abordado de maneira compreensiva, pois acredita-se que esses conceitos interagem permanentemente. No caso brasileiro é possível, entretanto, identificar alguns fatores que historicamente têm incidido na configuração de um tipo de cultura política, de caráter híbrido, que mistura posturas favoráveis à democracia e predisposições negativas em relação às instituições políticas. Esse mal-estar, argumenta-se, não é conjuntural nem temporário, mas de caráter estrutural e danoso para o fortalecimento democrático. Em tal cenário o desenvolvimento do capital social, aumentaria, prática e teoricamente, o poder dos cidadãos permitindo-lhes maior inserção e participação na arena política. São utilizados como fonte dados de pesquisas qualitativas e quantitativas coletados no Rio Grande do Sul no período de 1974 a 2000. Os resultados do estudo sugerem uma ausência de capacidade cooperativa entre os brasileiros, o que poderia explicar os déficits de participação política e a conseqüente instabilidade democrática.

Keywords: cultura política; democracia; capital social; participação política.

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DINIZ, Simone. Party migrations and the electoral calendar. Rev. Sociol. Polit., Nov. 2000, no.15, p.31-48. ISSN 0104-4478.

Pesquisas sobre "migração partidária" são relativamente recentes no nosso país, embora a literatura muitas vezes aponte esse fenômeno como mais um sinal da não-institucionalização do nosso sistema partidário. Parte dos especialistas que trataram do tema tendem a apontar a não-coibição da legislação como a principal causa das migrações. Este artigo defende o argumento que não é ausência da coibição, mas o ganho a ser obtido com a mudança o fator que explicaria a troca de legenda.

Keywords: migração partidária; sistema partidário; sistema eleitoral; propaganda eleitoral gratuita.

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quarta-feira, junho 30, 2004

CRM de Tabuleiro
A consultoria Tridea inicia suas atividades no mercado de implementação de CRM apostando no conceito de jogo de empresa.

Vivenciar um conceito, absorvendo suas principais características por meio de jogos, é uma iniciativa já bastante utilizada por pedagogos e especialistas em educação. Agora a prática chega ao mercado corporativo, mais especificamente ao segmento de implementação de sistemas de CRM (Customer Relationship Management) pelas ações da consultoria Tridea, uma das certificadas brasileiras para a venda do Microsoft Business Solutions CRM.

Recentemente criada por um grupo de executivos oriundos das áreas de vendas, marketing e tecnologia, a empresa aposta na realização de jogos para garantir que as práticas advindas da aquisição de um aplicativo sejam absorvidas por seus usuários. ´´Se a tecnologia e os processos por ela suportados não estiverem alinhados à organização e às estratégias de negócios, dificilmente os resultados esperados serão alcançados´´, afirma José Miraglia, um dos fundadores da Tridea.

O executivo afirma que a metodologia de implementação adotada pela empresa tem o objetivo de alinhar estes três elementos em cada um de seus clientes. É aí que entram os jogos. De acordo com Flavio Fernando Silva, diretor de marketing, eles permitem que os participantes experimentem os conceitos e práticas através de simulações de cenários de negócios. ´´O exercício da tomada de decisão, e o formato lúdico do jogo, favorecem o aprendizado e a sedimentação do conhecimento´´, ressalta.

Na prática, os jogos de empresas criados pela companhia podem abordar quatro áreas: corporativo, marketing, vendas e serviços. São formados grupos que representam diferentes empresas e/ou diferentes profissionais da mesma empresa. Nesse momento as regras gerais do jogo são apresentadas.

O jogo é executado em várias rodadas, onde os grupos serão responsáveis pela tomada de decisões, as quais definirão sua performance. Ao final de cada rodada, resultados são apresentados e discutidos à luz dos conceitos e melhores práticas. ´´Ao final do jogo, o grupo com melhor performance é declarado vitorioso, sendo realizada uma avaliação global dos resultados´´, explica o executivo, afirmando que os resultados são melhores do que os obtidos com métodos tradicionais.

Além dos jogos, a consultoria conta também com áreas voltadas à educação e análise de gaps. A primeira, por meio de palestras, workshops e cursos, amplia e fortalece a visão empresarial que irá garantir a adoção e a prática de políticas de relacionamento por parte dos profissionais das áreas de administração, marketing, serviços, vendas, atendimento e qualidade, por exemplo.

Já a segunda área mapeia oportunidades para melhoria organizacional em áreas como marketing, vendas e serviços. A análise é feita por meio de entrevistas, suportadas por documentos de levantamento pré-formatados, que serão conduzidas com pessoas chave da empresa, com o objetivo de colher informações que possibilitem avaliar processos, requerimentos, regras de negócio, integrações e tecnologia.

Fonte: Consumidor Moderno (extraído do GazetaOnline)



segunda-feira, junho 07, 2004

INFORMÁTICA ETC
Rio, 07 de junho de 2004

Internet em banda larga: o DSL está com a corda toda
Elis Monteiro

Tortura chinesa. Sim, navegar na internet usando o tartarúrgico dial-up é um sofrimento, mais ainda quando se tem a experiência de navegar em altas velocidades. Parece que os usuários de internet dial-up começam, enfim, a despertar para este novo mundo em que as páginas levam menos de cinco minutos para abrir.

A última pesquisa divulgada pelo Ibope é apenas a constatação daquilo que a indústria já vem percebendo: o mercado brasileiro de banda larga tem futuro. Segundo o estudo, 29% dos usuários de acesso dial-up pretendem se livrar da tortura e adotar a banda larga nos próximos 12 meses. Oba! E tem mais: quem já usa banda larga aqui no Brasil quer fazer jus ao (ainda alto) investimento: o usuário brasileiro de conexão rápida navega mais que o americano - em média, 21 horas e 58 minutos, em comparação com as 19 horas e 8 minutos gastas mensalmente em exploração do ciberespaço nos EUA.

Além disso, o Ibope constatou que o preço é o principal empecilho para quem ainda não adotou a banda larga. Para saber disso, vamos combinar que não precisava nem de pesquisa...


Indústria está a mil diante das boas perspectivas

As previsões são otimistas. Segundo pesquisa da Point Topic, no fim de 2003 havia aproximadamente cem milhões de assinantes de banda larga no mundo. Dentro desse segmento, a área de DSL cresceu 79% no mundo e 85% no Brasil. Para o fim de 2004, espera o Yankee Group um salto de linhas ADSL de 1 milhão para 1,7 milhão. Para alimentar este mercado em ascensão, as operadoras, ao lado das fornecedoras de infra-estrutura, trabalham na criação de novos serviços, como vídeos on-demand, jogos e segurança.

Assim, fornecedoras de infra-estrutura para redes velozes criam soluções e já lambem os beiços com a expectativa de mais demanda. Entre elas, a Alcatel. Só no Brasil, a empresa é responsável por 60% das vendas de ADSL.

- No futuro, todo telefone fixo trará banda larga acoplada, e isso também para as classes C, D e E. Além dos serviços de voz, os assinantes terão acesso aos serviços de banda larga, pagando por isso o mesmo preço do telefone convencional - prevê Janio Foigel, presidente da Alcatel Brasil. - A banda larga tem cada vez mais um papel fundamental no mercado de telefonia fixa.

Enquanto a maioria dos usuários de banda larga acessa a internet a 256kbps, a empresa suíça Schmid Telecom, que atua na área de telecomunicações, anunciou uma plataforma que permitirá às operadoras oferecer aos clientes acesso com velocidades de até 2,3 megabits por segundo e realizar até oito chamadas telefônicas simultaneamente. Batizada de Pegasus, a plataforma é usada em companhias da Ásia e da Europa. No Brasil, a Schmid tem instalados 60 mil módulos xDSL.

- O produto é para atender condomínios, prédios menores ou antigos, mas pode ser usado por empresas de qualquer porte - diz Rogério Cascaes, diretor-geral da Schmid no Brasil.

AS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO EA EDUCAÇÃO

(Este link leva para uma versão integral do artigo em formato MS-WORD)

03/06/2004
Microempresa recebe ajuda de universitários

Rachel Silva

Desde ontem, 22 empresas capixabas de pequeno porte estão recebendo estudantes universitários que, ao longo dos próximos seis meses, vão identificar e corrigir problemas tecnológicos, de processos e de gestão.

São os bolsistas selecionados pelo Programa de Bolsas de Iniciação Tecnológico (Bitec), uma parceria entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

O Bitec tem o objetivo de transferir conhecimentos das instituições de ensino para micro e pequenas empresas organizadas em arranjos produtivos locais, colocando em contato o setor produtivo e o setor acadêmico.

"A nossa principal missão é essa, promover interação entre universidade e empresa, aproximar o setor produtivo das tecnologias", diz o coordenador do programa no Estado, Iomar Cunha.

Em 2002, última vez em que foi aberta seleção para o Bitec, foram selecionados 12 projetos capixabas. Entre os projetos aprovados para este ano, onze são na Grande Vitória e onze no interior do Estado. As empresas atendidas são de setores em que o Sebrae identificou alguma necessidades: madeira e móveis, têxtil, vestuário e couro, rochas ornamentais, construção civil e metal-mecânico.

Os autores dos projetos são estudantes dos cursos de Administração, Direito, Sistemas de Informação, Engenharia de Produção, Design e Saneamento Ambiental, todos com orientação de algum professor.

O valor de cada bolsa é R$ 300,00 mensais, e o prazo para o desenvolvimento dos projetos é de seis meses. A verba será repassada pelo CNPq ao IEL, que ficará responsável por remunerar os bolsistas.

domingo, junho 06, 2004

São Paulo, domingo,
06 de junho de 2004

CAPACITAÇÃO NAS FÉRIAS

Entidades reúnem opções de cursos gratuitos
DA REDAÇÃO

Estar sem dinheiro para viajar nas férias de julho não precisa ser sinônimo de tédio. Aproveitar a época para investir em qualificação é um caminho até mesmo para os que estão desempregados, já que há empresas e instituições com cursos de capacitação e workshops gratuitos, muitos deles com turmas abertas durante todo o ano. Confira, a seguir oportunidades.

TECNOLOGIA

Cursos de Word e de Excel
Público-alvo: desempregados
Quem oferece: Instituto CSU
Quando: durante todo o ano
Horário: há diversas turmas, de segunda a sexta, das 8h às 18h
Inscrições: das 9h às 18h, à av. Eusébio Matoso, 414, Pinheiros, zona oeste
Informações: 0/xx/11/3813-1378

SÓ PARA JOVENS

Cursos de Linux e de Java
Público-alvo: ser estudante com cadastro no CIEE
Quem oferece: CIEE e Faculdade IBTA
Quando: às terças e quintas, durante todo o ano
Horário: das 13h às 17h
Inscrições: pelo site www.ciee.org.br

Restaurante Escola
Público-alvo: pessoas com idade entre 17 e 21 anos, com renda familiar de até três salários mínimos e que tenham concluído ou estejam matriculadas no ensino regular
Quem oferece: Universidade Anhembi Morumbi e Fundação Jovem Profissional
Quando: às terças, quartas e quintas
Horário: das 8h às 10h, e das 14h às 16h; aulas práticas acontecem das 10h às 15h, no atendimento do restaurante da Câmara Municipal
Inscrições: na primeira semana de outubro, na fundação (av. Nove de Julho, 398, Bela Vista, centro)
Informações: 0/xx/11/3241-5588

SÓ PARA DESEMPREGADOS

Programa Reconquista do Trabalho
Público-alvo: desempregados que tenham completado, no mínimo, a 4ª série do ensino fundamental, tenham mais de 30 anos e rendar familiar de até quatro salários mínimos
Quem oferece: Senac-SP
Quando: de 22 de junho a 6 de julho (somente às terças a sextas)
Horário: das 9h às 12h
Inscrições: até 15/6, pelo tel. 0/xx/11/6647-5151

EMPREENDEDORISMO

Aprender a empreender
Público-alvo: aberto
Quem oferece: Sebrae-SP
Quando: durante todo o ano
Horário: depende do aluno, pois são cursos a distância (pela internet, por correspondência ou por telessala)
Inscrições: 0800-780202

IPGN (Iniciando um Pequeno Grande Negócio)
Público-alvo: futuros empresários
Quem oferece: Sebrae e IEA (Instituto de Estudos Avançados)
Quando: 14 de junho
Horário: depende do aluno, pois o curso é realizado via internet
Inscrições: até 13 de junho em http://ipgn.iea.org.br

PROFISSIONALIZANTES

Rede Interativa Construção (etapas de instalação elétrica, determinação das seções dos cabos, importância do condutor terra e oportunidades no mercado de trabalho, entre outros)
Público-alvo: eletricistas e vendedores-balconistas
Quem oferece: Pirelli, em parceria com a Tigre, a Fame e a Eletromar
Quando: 6 de julho e 3 de agosto
Horário: às 8h30 (vendedores-balconistas) e às 17h30 e às 19h (eletricistas)
Inscrições: 0800-7722244

Escola de Enfermagem da Beneficência Portuguesa (curso técnico)
Público-alvo: pessoas que tenham mais de 18 anos no ato da inscrição e que tenham concluído o ensino médio
Quem oferece: Escola São Joaquim (Hospital da Beneficência Portuguesa)
Quando: em 2005, mas a data ainda não foi definida
Horário: das 7h às 13h ou das 15h às 21h
Inscrições: www.beneficencia.org.br ou 0/xx/11/3253-5022 ramal 1201

Curso de habilitação de corretores
Público-alvo: profissionais autônomos que tenham, no mínimo, ensino médio e que morem em São Paulo
Quem oferece: Icatu Hartford
Quando: de 2 de agosto a 22 de outubro e de 30 de agosto a 26 de novembro (as inscrições, porém, podem ser feitas durante todo o ano)
Horário: das 14h às 17h
Inscrições: encaminhar currículo para corretoressp@icatu-hartford.com.br

Técnicas de vendas e atendimento ao cliente
Público-alvo: pessoas que tenham completado o ensino superior e que tenham facilidade de comunicação
Quem oferece: Associação Brasileira de Telemarketing e Prefeitura de São Paulo
Quando: a próxima turma será em 28 de junho (há classes durante todo o ano)
Horário: das 8h30 às 12h30 ou das 13h30 às 17h30
Inscrições: no site www.trabalhosp.prefeitura.sp.gov.br (no link Cadastramento, depois, Bolsa Trabalho Emprego. No formulário, escolher a opção operador de telemarketing)

Aplicação e Manutenção de Rolamentos e Vibrações Mecânicas Aplicadas à Manutenção (e-learning)
Público-alvo: todos os interessados
Quem oferece: NSK Brasil (fabricação de rolamentos)
Quando: durante todo o ano
Horário: depende do aluno
Inscrições: http://portal.br.nsk.com/etreinar/

Curso de formação e habilitação de corretores
Público-alvo: ter de 25 a 50 anos, o ensino médio completo, facilidade de comunicação, disponibilidade para trabalhar na rua e morar em São Paulo
Quem oferece: Mongeral Seguros e Previdência
Quando: 5 de julho
Horário: das 8h30 às 17h30
Inscrições: enviar currículo para rsilva@mongeral.com.br
Informações: 0/xx/11/3188-4900

ARTE

Formação em design popular baiano
Público-alvo: educadores
Quem oferece: Museu da Casa Brasileira
Quando: 15 e 17 de junho
Horário: das 13h30 às 17h
Inscrições: 0/xx/11/3034-6196

WORKSHOPS

Cultural Shock
Público-alvo: profissionais que lidam com estrangeiros no dia-a-dia e que tenham nível intermediário de inglês
Quem oferece: St. Giles (unidades São Paulo e Campinas)
Quando: 7 de julho
Horário: das 20h às 21h
Inscrições: 0/xx/11/3873-2233 ou 0/xx/19/3206-0767, até 30 de junho

Bricolagem (uso correto de ferramentas como furadeira, parafusadora e serra e orientação para projetos)
Público-alvo: aberto
Quem oferece: Skil Ferramentas Elétricas
Quando: durante todo o ano
Horário: geralmente, às 14h
Inscrições: 0800-7045446

Casa Gourmet (na área de gastronomia e outros como etiqueta, auto-estima, técnicas de vendas e reciclagem de papel)
Público-alvo: aberto
Quem oferece: Arno
Quando: durante todo o ano
Horário: depende do curso (geralmente às 14h30 ou às 18h30)
Inscrições: 0/xx/11/3259-3711 ou no site www.casagourmet.com.br

Desperte seu Talento e Inicie um Negócio Lucrativo
Público-alvo: aberto; é preciso levar um quilo de alimento não-perecível
Quem oferece: Centro Cultural Casa do Restaurador
Quando: 21 de julho
Horário: das 20h às 22h
Inscrições: 0/xx/11/5090-3699

Cooperativismo
Público-alvo: interessados emqj montar uma cooperativa ou em saber como o sistema funciona
Quem oferece: Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo)
Quando: 16 e 18 de junho
Horário: das 13h30 às 17h30
Inscrições: pelo tel. 0/xx/11/5576-5985

Iniciação à Degustação de Vinhos
Público-alvo: aberto
Quem oferece: Importadora Grand Vin
Quando: 3 e 17 de julho -em Campos do Jordão (SP)
Horário: das 18h às 20h
Inscrições: 0/xx/11/3672-7133

Palestra informativa para leigos sobre homeopatia
Público-alvo: aberto
Quem oferece: Escola Paulista de Homeopatia
Quando: 26 de junho
Horário: das 14h às 16h
Inscrições: 0/xx/11/5571-8583



São Paulo, domingo,
06 de junho de 2004

4.805 VAGAS

Fluxo de turistas e de alunos em férias faz acampamentos, hotéis e parques abrirem suas portas

Julho é mês de "ralação" para universitários
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Julho é mês de férias. Ou não, dependendo do ponto de vista. Há vagas de trabalho temporário durante o período, especialmente nas áreas de lazer e turismo. E, nesses setores, candidatos universitários são os mais disputados.
A Folha traz nesta edição 4.805 ofertas de emprego, com salários que vão de R$ 260 a R$ 3.500 por mês, além de 5.060 vagas de estágio. "Em julho, registramos aumento de oportunidades para vendedores, monitores e atendentes, especialmente em empresas do ramo de entretenimento", conta Eliana Baptista, 46, diretora de gestão de pessoas da agência de empregos Luandre, de São Paulo.
Em hotéis e resorts, o reforço acontece porque julho é mês de alta temporada -e de muito calor, em alguns Estados. "A demanda aumenta, principalmente a de turistas estrangeiros", diz Fátima Maciel, 45, diretora de relações humanas do Club Med.
As vagas temporárias com contrato -que garantem ao empregado direitos como férias e 13º salário proporcionais- estão caindo neste ano porque, para se livrar dos encargos, as empresas optam cada vez mais pela contratação direta (sem passar pelas agências), explica o presidente da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário), Necésio Tavares.
Mas, mesmo sem receber os benefícios, há quem diga que vale a pena viver de "bicos". A protética Sandra Borges, 33, foi demitida de seu antigo emprego porque, segundo conta, foi considerada velha demais para a função. Além de ter quatro filhos.
Sem nunca ter atuado, foi selecionada para ser um dos monstros do evento Noites do Terror, do Playcenter. Por um mês de trabalho, ganhou R$ 1.500. "É uma saída para quem está sem emprego, acaba abrindo portas. A agência sempre me chama para fazer diferentes trabalhos."

Currículo recheado
A possibilidade de incrementar o currículo ou de transformar a vaga temporária em fixa faz engrossar a lista de candidatos.
Conforme afirma João Renato de Vasconcellos Pinheiro, vice-presidente do Sindeprestem (sindicato especializado em mão-de-obra temporária), cerca de 25% conquistam a vaga.
Muitos desses reforços acabam se tornando fixos por se identificarem com o perfil solicitado. "Contratamos 40% dos temporários da última seleção", diz Dirceu Ramos, presidente da DR Marketing Promocional.
Com currículos enxutos e pouca experiência, os universitários são os preferidos dos empresários. "Eles estão dispostos, querem melhorar o currículo e garantir o primeiro emprego", declara Marco Antônio Vívolo, 50, presidente da Associação Brasileira de Acampamentos Educativos.
Estudante do terceiro ano de administração, Dayane Souza, 22, conseguiu, há um mês, estágio no departamento de marketing do Rio Quente Resorts. "Meu contrato tem validade de um ano, mas quero crescer na empresa e virar fixa." (LARA SCHULZE)


segunda-feira, maio 31, 2004



São Paulo, domingo,
30 de maio de 2004
+ livros

Eduardo Giannetti da Fonseca lembra a influência de Nagel em sua formação e diz que ele pode ajudar os filósofos brasileiros a superarem seu "vício ocupacional"

Humildade analítica, arrogância dialética
Caio Caramico Soares
free-lance para a Folha

Em enquete do caderno Mais! [publicada em 11/4/1999], que pedia a alguns dos principais intelectuais brasileiros que listassem o que seriam para eles os dez mais importantes livros do século 20, Eduardo Giannetti da Fonseca pôs "Visão a partir de Lugar Nenhum", de Thomas Nagel, no topo, à frente de clássicos como "O Mal-Estar na Civilização", de Freud, e "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber.
Como mostra na entrevista a seguir, os motivos do economista e professor do Ibmec -que fez a revisão técnica da edição brasileira da obra- para essa escolha são muitos.

Por que "Visão a partir de Lugar Nenhum" é o livro mais importante do século 20?
Foi o livro, dentre aqueles editados no século 20, que mais me influenciou, o livro mais importante em minha formação. As questões mais interessantes da epistemologia, da ética, da filosofia da mente, da linguagem, da metafísica, da filosofia política se prestam a uma elucidação a partir desse conflito entre o ponto de vista interno do sujeito e o ponto de vista da objetividade, ou seja, a tentativa de se ver de fora, a partir de um ponto de vista neutro, impessoal.
Acho que ele conseguiu unificar as grandes preocupações da filosofia a partir de um fio subjacente, que é essa dualidade que ele elabora e que lhe permite cortar transversalmente os mais diversos temas. Nagel é um dos autores com os quais, quando o leio, me sinto diminuído, porque ele me parece de uma clareza, consistência, rigor, elegância, que eu jamais vou alcançar, ele realmente me oprime, mas ao mesmo tempo me instiga, me provoca a ser melhor.
Ele me dá essa clara sensação de quanto me falta como pensador e autor. Uma mistura de opressão e provocação intelectual. Acho Nagel o mais importante filósofo vivo hoje no mundo. Na tradição analítica, que é a de Nagel, diferentemente da tradição dialética (mais continental), a questão importa mais do que a história da idéia. Ele, por exemplo, escreveu um livro inteiro de introdução à filosofia ["What Does It All Mean", lançado no Brasil pela editora Martins Fontes com o título de "Uma Breve Introdução à Filosofia"] sem se referir a nenhum filósofo, porque ele quer mostrar para o estudante a importância do problema filosófico [em si]. Acho essa abordagem magnífica, essa é a maneira de fazer filosofia, senão você descamba para o que é o vício ocupacional do filósofo brasileiro, que é a exposição sedentária de doutrinas alheias, para usar a expressão de Mário de Andrade. O que Nagel faz é o inverso disso. O problema tem precedência sobre a história das idéias.

O sr. diz que o lançamento de "Visão a partir de Lugar Nenhum" pode marcar uma boa oportunidade para "termos uma filosofia mais esclarecida no Brasil". A seu ver, quais são as principais carências intelectuais nacionais que esse livro pode ajudar a sanar?
Sobretudo uma filosofia que se preocupe mais com problemas do que com reconstruções historiográficas. Também a questão da clareza; o filósofo tem que ser claro e saber convencer quanto à relevância dos problemas que ele traz. Uma coisa que Nagel faz -e que acho que pode inspirar um jovem a se preocupar com filosofia- é mostrar que os problemas da filosofia são pertinentes, são coisas que qualquer pessoa lúcida pode perceber por si mesma e começar a pensar, porque são coisas que importam. Para mim, como estudioso de economia, a filosofia relevante para as ciências é essa [da linha analítica], e não a continental, dialética. E há muita empáfia, muita confusão entre profundidade e obscuridade. Acho que a história da filosofia tem seu papel, é muito importante que seja feita, mas isso é diferente de filosofia propriamente dita, o historiador de idéias quer resgatar o sentido original de uma obra em seu contexto intelectual e prático.
Agora, o que nos falta no Brasil é o filósofo que tenha capacidade de enfrentar problemas filosóficos e de pensar a partir de problemas, e não de uma reconstrução historiográfica.

Como se deu seu encontro com o livro?
Eu estudei filosofia na graduação [Giannetti se formou em ciências sociais e economia na USP], mas em meados dos anos 70, no Brasil, filosofia era sinônimo de filosofia continental européia, franco-germânica. Estudei muito Marx e, para entender Marx, Hegel. Eu era marxista, na minha geração não havia como não ser marxista, todos nós disputávamos para saber qual era o verdadeiro e ortodoxo marxista. Ao ir para a Inglaterra, li três vezes mais filosofia do que economia, mas percebi que, todos os autores que eu tinha estudado aqui na minha juventude, era como se não existissem. A própria Escola de Frankfurt, o objeto de minha grande admiração então, não era lá nem considerada filosofia, mas sim sociologia.
Lá havia uma outra tradição, que eu desconhecia quase por completo, que era a filosofia analítica. Para justificar minha existência acadêmica lá, tive que recomeçar do zero e começar a estudar, aprender e até participar dessa abordagem. Descobri Nagel nessa época, mas o li com mais afinco depois de escrever "Vícios Privados, Benefícios Públicos" (1993). A presença de Nagel já é muito forte em "Auto-Engano" e em "Felicidade" [ambos lançados pela Cia. das Letras].

É correto dizer que Nagel preenche, em seu desenvolvimento intelectual pessoal, um papel estratégico de intermediação entre o rigor argumentativo da filosofia analítica e os grandes temas da tradição crítico-dialética (em que o sr. se criou), até mesmo do romantismo, por exemplo quando ele denuncia os excessos da ciência moderna?
Os filósofos dialéticos, da tradição hegeliana, e o próprio Marx olham para a ciência com uma arrogância, um ar de superioridade, como se os cientistas fossem meros empiristas, positivistas. Hegel, na "Filosofia da Natureza", se dá ares de que entende mais de física do que Newton. Na tradição analítica, olha-se com humildade para a ciência e busca-se aprender o que a ciência pode oferecer para a reflexão filosófica. O filósofo não se põe num pedestal olhando para os meros cientistas como se fossem ratinhos de laboratório que não sabem muito bem o que estão fazendo e pensando.
Nagel de novo aí tem uma posição muito interessante. Ao mesmo tempo em que respeita enormemente as conquistas do pensamento científico, ele mostra os seus limites, o que nós podemos esperar da ciência. E ele acaba mostrando que as questões que mais nos importam a ciência jamais nos responderá, são as perguntas acerca do sentido, do bem, do que importa. Mas não se coloca naquela posição frankfurtiana de olhar para os cientistas como se fossem bebês incapazes de dar um passo sem tropeçar.

Mas Nagel denuncia o "cientismo"...
Sim, ele critica o cientismo, isto é, transformar a ciência em fé e dogma, a idéia de que a ciência vai dar respostas para as perguntas da filosofia. Eu resumiria a posição de Nagel dizendo que não há nada mais irracional do que ignorar os limites da racionalidade. Há uma interioridade no mental que é diferente da interioridade do cérebro dentro da caixa craniana. E a ciência é constitutivamente incapacitada para lidar com essa interioridade do sujeito. Esse é o irredutível da experiência humana. E ele é o que mais importa, é nesse plano que nossa vida transcorre. Ele dá até um exemplo, em "Uma Breve Introdução à Filosofia": imagine uma pessoa comendo chocolate -e tudo o que o chocolate significa para ela, em termos de ressonâncias, de memória, de associações subjetivas- e um cientista que queira ter uma "visão científica" do cérebro sob o estímulo do chocolate.
Imagine se um cientista consegue abrir, lamber esse cérebro e sentir o gosto de chocolate; o gosto de chocolate que ele vai sentir não é o mesmo da pessoa, é apenas um gosto de chocolate que o cérebro da pessoa tem enquanto ela como chocolate. E há um poema de um heterônimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos ["Tabacaria"], que diz: "Come chocolates, pequena;/ Come chocolates!/ Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates./(...) Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!". É exatamente a mesma coisa que Nagel diz!